“E a pizza?”

Entregador - acidente
Não importa o sofrimento de alguns. Desde que o “eu” seja bem servido, já tá valendo… |foto: Walder Galvao/CB/D.A Press

Os dias têm sido difíceis, mas temos aprendido bastante. A pandemia de coronavírus nos mostra que, além de frágeis, nós – humanos e mortais – causamos nossa própria destruição. Tudo por conta do nosso ego. E falo num contexto geral, não apenas relacionado aos detentores do poder, embora as ações destes estejam em maior evidência. Mas vamos chegar lá.

Esses dias vi um post no Facebook, onde trazia um print de uma conversa entre o funcionário de uma pizzaria e um cliente. Este, irritado com a demora de seu pedido, questionava o porquê. A demora se devia a um acidente ocorrido no trajeto à casa do cliente, que infelizmente, resultou na morte do entregador. A resposta (com uma outra pergunta) do cliente foi horripilante: “Sim. E a pizza?”.

Não sei vocês, mas para mim isso é uma mostra do absurdo que nós seres humanos podemos chegar e que fica mais aparente nesses dias. Não importa a dor das pessoas que perderam seus entes queridos. Não importa a agonia de quem está nos hospitais, infectados com essa doença maldita. Sempre haverá questionamentos como esse, que bem traduzido, ficaria: “E daí? O que eu tenho a ver com isso?”.

Coisas desse tipo são mais presentes do que se imagina. Se alguém adoecer e não puder ir ao serviço, alguém posterga: “Tá, mas quando você volta?”. Se a cidade ou estado entra em quarentena, alguém pergunta: “E a economia?”. Se milhões forem destinados para combater essa pandemia, alguém nos bastidores questiona: “Quanto dessa quantia vai pra mim?”.

É a exposição da mais profunda maldade do ser humano. Ninguém se importa com ninguém. O que mais importa é como eu vou ficar. Vale até burlar coisas simples, como furar a fila no supermercado ou solicitar o auxílio emergencial do Governo, mesmo não estando inserido nos critérios estabelecidos. O que vale é o bem estar, mesmo que todo mundo se dane com isso.

Eu sei, algumas coisas devem ser levadas em consideração. O empresário precisa saber como lidar com as máquinas paradas, funcionários sem ter o que receber, impostos correndo solto e muito mais. O mesmo para o pai de família que têm família para sustentar. Perguntar “E a economia?” não é algo tão mesquinho assim. O problema é como se questiona isso, a postura que tal pessoa toma ao exigir tais direitos.

Falta amor ao próximo. Eu sei, parece clichê. Mas é a realidade. Falta vergonha na cara da classe política também, que em vez de buscar soluções ao povo que os elegeu, passa a fazer defesa absurda de seus “líderes” ou ainda atacar seus opositores. Tudo com fins de manter seu projeto político. O povo? Ele que lute, né?

A pandemia, ao menos no Brasil, parece longe de acabar. Pergunto: Quantas vidas ainda serão perdidas por conta da ganância, ambição e ego de muitos? Quantos mais precisarão sofrer até que todos, em geral, decidam voltar-se ao bem comum (não confundir com ideais comunistas, pelamor!)? A pizza pode até demorar um pouco, mas você não morrerá de fome. Tenha fé!

Deixe um comentário

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora